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Rita Teixeira da Silva

Sex | 05.03.21

A minha avó pede desculpa, de Fredrik Backman

A minha avó pede desculpa_Fredrik Backman.png

Ai, que livro tão, mas tão quentinho! É mesmo daqueles livros de que estamos a precisar neste momento tão gélido de afastamento, sofrimento e desesperança. Antes de mais, quero elogiar a escrita de Backman, tão simples e crua, livre e terna. É tão fácil e direto identificarmo-nos com o que as personagens sentem, que parece impossível.

«A mulher suspira, um suspiro tão profundo que se atirássemos uma moeda lá para dentro nunca a ouviríamos bater no fundo.»

O livro conta-nos a história de uma relação ímpar entre avó e neta. Elsa, de sete (quase oito) anos (ihih) é a personagem central da história que, depois de viver a perda da "Avozinha" que foi levada pelo cancro, vê-se numa incrível aventura. A avó deixou-lhe, em determinados pontos estratégicos e que a obrigam a confrontos improváveis, cartas com destinatários variados.

Essencialmente, e tal como o próprio título indica, as cartas são pedidos de desculpa a cada uma das pessoas que a avó pensa ter magoado de uma ou de outra forma.

«E isto é tudo falso. Plástico e maquilhagem. Como se as coisas fossem ficar outra vez bem lá porque fizeram um funeral. Elsa sabe muito bem que, para ela, não vai ficar nada bem.»

A atmosfera que envolve este livro é de uma beleza ímpar. A começar pelo universo que a avó criou para a neta, com histórias do Reino de Miamas, e de outros reinos da Terra de Quase Acordar, passando pela beleza que há na visão do mundo pelos olhos de uma criança, acabando no quão interessante cada ser humano é. Cada um é um mundo e não há pessoas integralmente más ou naturalmente boas. Somos feitos de pedaços de mil coisas e essa é a magia da profundidade das pessoas.

É um livro muito fora daquilo que costumo ler e fico feliz por ter dado uma oportunidade a este autor e a esta história em particular. Fiquei feliz e quente por dentro, por ter entrado neste mundo, e quero muito continuar a navegar nele.

Já leram Fredrik Backman? Contem-me tudo!

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