Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Rita Teixeira da Silva

Sex | 16.04.21

A Quinta dos Animais, de George Orwell

A Quinta dos Animais.png

Obrigada, Orwell, por mais uma obra incrível que põe o dedo na ferida de forma majestosa.

É um livro muito curto, mas a sua mensagem é muito bem transmitida. É o retrato de como o poder pode corromper e os valores inicialmente defendidos podem transformar-se. Habitualmente, transformam-se no sentido de beneficiar um pequeno grupo em detrimento dos restantes elementos.

«Ninguém acredita mais convictamente do que o Camarada Napoleão na igualdade entre todos os animais. Ele teria todo o gosto em deixar-vos tomar as vossas decisões sozinhos. Mas correríamos o risco de vocês tomarem as decisões erradas, camaradas, e depois, o que seria de nós?»

A Quinta do Infantado dá cenário a uma rebelião dos animais contra os seres humanos. Os animais, crendo que os seus direitos não estavam a ser respeitados, decidiram, em conjunto, revoltar-se contra o poder instaurado e transformar a Quinta do Infantado na Quinta dos Animais, com os seus objetivos, regras, rotinas e mandamentos.

«Quanto à imagem do futuro que ela própria vagamento idealizara, fora a de uma sociedade de animais livres da fome e do chicote, todos iguais, cada qual a trabalhar de acordo com as suas capacidades, com os fortes a proteger os fracos(...)»

O grupo dos porcos que, desde cedo, começou a ler obras e a estudar os mais variados assuntos, demarcou-se intelectualmente dos restantes animais e, como tal, foi capaz de granjear a sua confiança e tomar as rédeas (de forma subtil e gradual) do destino da quinta. Para todos os efeitos, a ideia era tornar a quinta numa comunidade em que cada animal trabalharia menos, em melhores condições e trabalharia para si, vendo recompensado o esforço da sua mão-de-obra. No entanto...

«Durante a Primavera e o Verão, labutaram sessenta horas por semana, e, em Agosto, Napoleão anunciou que também haveria trabalho aos domingos à tarde. Este trabalho era estritamente voluntário, mas qualquer animal que faltasse veria as suas rações reduzidas a metade.»

À medida que o tempo foi passando, os interesses dos porcos foram-se alterando e a alteração dos princípio definidos em assembleia desde logo caíram por terra. De forma suave, os porcos começaram a modificar algumas das diretrizes, a mexer nos mandamentos a seu bel-prazer e a ter comportamentos que antes poderiam ser gravemente punidos.

«Alguns dias depois, no entanto, ao reler os Sete Mandamentos em voz baixa, Sofia reparou que havia mais um que os animais tinham decorado erradamente. Pensavam que o Quinto Mandamento era "Nenhum animal beberá álcool", mas tinham-se esquecido de duas palavras. Na verdade, o Mandamento em questão rezava assim: "Nenhum animal beberá álcool em excesso"»

O mais interessante, e indo muito na linha de 1984, do mesmo autor, é que estas alterações eram feitas às escondidas dos outros animais e assumindo-se a nova realidade como sendo a realidade de sempre. Ignorando todo o historial, o presente era a única verdade. Os outros animais, intelectualmente mais limitados, pouco duvidavam do que viam e, duvidando, acabavam por ter mais confiança nos porcos do que nos seus próprios intelecto e memória.

«Os animais diante da janela olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens: mas era já impossível distingui-los uns dos outros.»

Conhecem esta obra? Se sim, quais são os vossos pensamentos sobre ela? Se não leram, aconselho vivamente!

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.