Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Rita Teixeira da Silva

Seg | 17.08.20

Born a Crime de Trevor Noah

Born a Crime_foto blog.png

Born a Crime é, simultaneamente, uma viagem pesada e profunda e uma leitura leve e prazerosa, sempre com um toque de humor (como não poderia deixar de ser).

Este é um livro autobiográfico, no qual Trevor Noah nos traz uma visão daquilo que foi a sua infância durante o Apartheid. 

 

«So many black people had internalized the logic of apartheid and made it their own.»

 

Uma vez que a narrativa se inicia cedo na sua vida, o olhar que recebemos sobre o mundo da altura é também ele embebido dessa típica leveza infantil. Nem por isso se torna superficial. Torna a leitura apenas mais real, mais leve e menos dura. É fácil de entrar na história e de a viver com o narrador.

 

«Growing up the way I did, I learned how easy it is for white people to get comfortable with a system that awards them all the perks.» 

 

Muito embora toda a atmosfera do livro seja influenciada pelos acontecimentos políticos e socioeconómicos que se viviam, a verdade é que o autor nos transmite a ideia de que a sua infância foi, mesmo com todas as limitações, feliz. Esta felicidade foi potenciada, maioritariamente, pela figura que parece ter mais peso na vida de Trevor - a sua mãe. 

 

«”Because,” she would say, “even if he never leaves the ghetto, he will know that the ghetto is not the world. If that is all I accomplish, I’ve done enough.»

 

Mais do que um relato de acontecimentos decorrentes da segregação racial, este livro reúne um conjunto de vivências, aprendizagens e episódios da vida do autor. É um livro que cria um equilíbrio incrível entre conhecimento histórico na primeira pessoa (embora através do olhar ingénuo de uma criança), entretenimento puro e envolvimento com esta pessoa que nos dá a mão e nos leva até àquela fase da sua vida. É o encontro entre a perspetiva de Trevor criança e o olhar de Trevor adulto, já com a sua personalidade formada e as suas ideias mais sólidas. É chorar, gargalhar e refletir. 

 

Recomendo a 100%! Já leram este livro? Se sim, o que acharam? Se não, gostariam de ler?